A IMPERFEIÇÃO DA IA NA BUSCA DESESPERADA DE SER PERFEITA


O medo e a previsão catastrófica inicial eram de que os vídeos produzidos por Inteligências Artificiais, ao se tornarem assustadoramente reais, permitiriam um nível de manipulação da realidade nunca antes alcançados.

No entanto, o que observamos nas redes sociais é o oposto, o descredito geral.

Vídeos que apresentam algo inusitado — como crianças cantando ou salvamentos milagrosos — são prontamente rotulados como “IA” nos comentários, mesmo quando são autênticos. A mentira tornou-se a suspeita padrão e a verdade, a exceção.

O fenômeno é intrigante, pois quanto mais “perfeita” é a criação da IA, menos credibilidade ela possui.

Análises de comportamento em redes sociais, processadas a partir de grandes volumes de dados (Big Data) em plataformas como TikTok e Instagram, demonstram que o público desconfia cada vez mais do “perfeito demais”, classificando-o como falso.

Historicamente, o valor da imagem como prova da verdade sempre existiu, mas com nuances distintas. Inicialmente, a fotografia trouxe uma expectativa contrária ao atual descrédito da IA: a promessa da verdade documentada.

Antes dela, a imagem era domínio da pintura realista, muitas vezes encomendada por líderes para retratar o que lhes convinha. A foto prometia um processo mecânico, a impressão da luz no filme, teoricamente sem a interferência subjetiva do olhar do pintor.

Contudo, logo se percebeu que nem a lente nem a revelação eram neutras. A realidade era moldada pelo enquadramento ou por alterações físicas no negativo. Stalin elevou isso a estratégia de Estado, apagando rivais de fotos oficiais para reescrever a história.

Para garantir a fidelidade, passou-se a exigir o que é externo à imagem: a credibilidade da fonte e seu interesse.

A Segunda Guerra Mundial expôs isso brutalmente. Documentários alemães mostravam uma vitória iminente, enquanto o governo americano editava filmes para exibir uma guerra “limpa”. O documentário de John Huston, “The Battle of San Pietro”, chegou a ser censurado por ser “verdadeiro demais”, mostrando a crueza da morte que o Estado queria omitir.

Agora, com o aperfeiçoamento constante, que pode tornar os vídeos de IAs em “amadoristicamente reais” para burlar o crivo da perfeição técnica, somos forçados a retornar à origem: quem produziu a mídia e qual seu interesse?

Hoje, não há mais a tranquilidade de antes ao consumir grandes veículos de imprensa, apesar de suas conhecidas inclinações políticas. Com a polarização e a fragmentação da internet, separar o joio do trigo tornou-se um desafio hercúleo.

Resta-nos confiar na história, que nos mostra que sempre encontramos formas de nos defender, ainda que às duras penas, das manipulações. Esperemos que, desta vez, a história não nos falte.

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