Para manter viva a narrativa de uma possível desistência da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, são usados rumores e boatos que continuam circulando nos bastidores da direita. O último, sem confirmação nenhuma, é a informação de que haveria uma tentativa de acordo com o STF para que seja concedida prisão domiciliar ao ex-presidente Bolsonaro em troca da desistência da candidatura de Flávio Bolsonaro, seu filho.
As negociações envolveriam a ex-primeira-dama Michelle e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Além de boatos, esses rumores fortalecem um sentimento, em certos setores da direita, de que o STF — que, na prática, não tem se mostrado muito favorável a Bolsonaro — seria talvez a última oportunidade de fazer Flávio desistir da candidatura a presidente. Quer dizer: na percepção desses grupos, o alívio da situação do pai seria a única forma de fazer o filho desistir da candidatura.
Digo isso porque Flávio não demonstra nenhuma intenção de desistir. Muito pelo contrário, seu último vídeo publicado na internet o coloca como o candidato que pode unir a direita.
Não precisa entender muito de política para perceber que uma candidatura ligada diretamente à família Bolsonaro é a forma mais segura de manter a sobrevivência do grupo político. O bolsonarismo já demonstrou desconfiança em Tarcísio, ou em qualquer outro candidato de centro-direita que não esteja organicamente ligado ao grupo.
Eles sabem que o sonho de setores da mídia, do Centrão e do mercado financeiro — grandes patrocinadores desse tipo de solução — é um candidato de direita que passe muito longe do extremo dos Bolsonaros. Sonham com um candidato moderado, institucional e equilibrado em suas ações e, o mais importante, que coloque a pauta liberal na frente.
Por isso, a candidatura de Flávio não é necessariamente para ganhar a eleição, embora isso não deixe de ser o objetivo (junto poderia vir o perdão presidencial ao pai), mas para garantir a eleição de um grupo sólido de parlamentares e até governadores íntimos e leais, como aconteceu em 2022, quando, mesmo perdendo, Bolsonaro garantiu uma bancada fiel.
Por enquanto, querendo ou não, os votos estão, de um lado, no bolsonarismo e, do outro, no Lula/petistas. A “terceira via”, um candidato de centro, sem eleitores para uma campanha presidencial, continua sendo um sonho distante.

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