Trump é a verdadeira face do cultuado “Sonho Americano”

Muitos analistas colocam Trump apenas como sintoma de uma América empobrecida, com seu poder econômico e militar relativos no atual jogo mundial.

Mas a verdade é outra: Trump não é apenas um condutor de ocasião, ele é o próprio país. As “loucuras” tarifárias e o uso ilimitado do poder bélico para tomar o que quer — custe o que custar, como na Venezuela — são apenas a reedição do “Sonho Americano”.

Esse sonho, vendido ao mundo, sempre foi instrumento de poder. As promessas proteladas de liberdade, civilidade e progresso serviram apenas como justificativa externa para uma elite que sempre lucrou com intervenções nada civilizatórias.

Agora, encurralada por uma nova ordem mundial, a força bruta é seu último refúgio (é assim que caem os impérios). A lógica assombrosa de Trump na TV, ao admitir que se apoderou do petróleo venezuelano, é a nova tônica, agora sem disfarces, desse “sonho civilizatório”.

Tudo com o consentimento disfarçado das instituições. O Judiciário e o Congresso observaram passivamente Trump menosprezar a lei e os ritos do cargo.

Assim, a queda de popularidade de Trump não é discordância com seus métodos, mas com os resultados: inflação, falta de produtos e a destruição da agricultura familiar.

O consenso dos analistas sérios é que não tem volta. Mesmo que os resultados econômicos pífios e o isolamento político deem um choque de realidade interno, o estrago está feito.

A queda contínua do Dólar pós-Venezuela e a entrada da União Europeia na América do Sul, desafiando o quintal americano, são sinais de impactos significativos e de difícil reversão. O Império já não é e não será o mesmo.

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